Fricção - Gestos, matéria e tempo em tensão

Fricção nasce no intervalo entre o gesto musical e a sua inscrição no espaço.

Não se trata de documentar um concerto, mas de observar como o corpo, o instrumento e o lugar entram em tensão.


As imagens aproximam-se do piano como matéria — superfície, reflexo, peso — e do gesto como força transitória, imperfeita e repetida. Mãos, pés, corpos e silêncios surgem fragmentados, desfocados ou suspensos, recusando a narrativa linear do acontecimento.


O espaço — carregado de história, escuta e presença — não é cenário neutro: reage, reflete e devolve o gesto. Entre o controlo técnico e a perda momentânea de forma, a fotografia regista essa fricção constante entre intenção e matéria.


Aqui, a imagem não procura o instante decisivo, mas o atrito: o lugar onde o gesto se inscreve, resiste e se transforma no tempo da observação.