Entre Escalas — Território Vertical
Constitui um corpo de trabalho antecedente no meu percurso artístico, onde já se manifesta uma preocupação central com a relação entre território, tempo e escala.
Se em trabalhos mais recentes essa investigação se desloca para o micro, para o invisível e para ritmos materiais reduzidos, nesta série a reflexão opera numa dimensão inversa: a confrontação do território habitado com uma escala temporal e espacial incomensurável.
Este trabalho estabelece, assim, um eixo de continuidade conceptual entre diferentes linguagens e escalas, afirmando a fotografia como dispositivo de atenção e de deslocamento do olhar.
Esta série observa o território habitado num ponto de tensão entre escalas que excedem a medida humana.
Estruturas construídas, ruínas e marcas de ocupação surgem suspensas entre o solo e um campo celeste contínuo, onde o céu deixa de operar como cenário e passa a funcionar como estrutura. A verticalidade não organiza a imagem — desestabiliza-a.
Ao longo da série, o território apresenta-se como algo parcialmente legível: formas que parecem funcionais mas resistem à identificação, vestígios cuja função se perdeu, elementos que escapam a uma leitura unívoca.
A paisagem deixa assim de ser um lugar reconhecível para se tornar um campo de relação entre escalas — de tempo, de dimensão e de permanência — onde a presença humana se revela frágil, provisória e sempre insuficiente face àquilo que a excede.